As emissoras internacionais de rádio e as grandes empresas de telecomunicações passaram a utilizar o sistema de
comunicação via satélite assim que estes equipamentos entraram em órbita terrestre.
O sistema de transmissões de rádio via satélite consiste basicamente
em emitir um sinal comum, gerado pelo sistema convencional de rádio em estúdio para um
canal digital que existe nos satélites de comunicação e por sua vez, fazer com que este sinal
seja retransmitido ao mesmo tempo para outra região do planeta. Podemos entender então que o satélite não é nada mais do que
um espelho que reflecte os sinais para regiões mais distantes dàquela onde foi gerado.
O sistema básico para emissões via satélite consiste numa antena parabólica
de tamanho entre 2,5 e 12,5 metros de diâmetro, um sistema
que vai automaticamente enviar e receber os sinais do satélite e vice-versa e também um sistema de controle remoto do sinal
trabalhado ainda no satélite.
Mais à frente vai entender como funciona cada parte deste meio de comunicação
e como em conjunto, funciona o sistema.
Todo o processo da transmissão via satélite em si não é muito complicado quando entendemos que o conjunto funciona por
partes. Todo o sistema
é grande na visão macro da coisa, mas em si, é muito compreensível e até simples demais para o que vem a ser o resultado que
produz. Todo
o sistema de radiodifusão de sinais de rádio ou televisão consiste em trabalhar
muito bem o sinal de áudio ou vídeo gerado num estúdio e fazer com que
seja enviado para um satélite que irá então reencaminhá-lo para outros destinos. Para explicar muito bem cada processo, vamos
entender cada um dos
passos do trabalho para depois sim compreendermos melhor o conjunto todo.
- A geração do sinal
O sinal de áudio ou vídeo é gerado normalmente pelo sistema convencional de
transmissão. Parte deste sinal é transmitido directamente para os receptores
de rádio ou televisão daquela localidade, e parte é transmitido por meio digital
ou analógico para um satélite em órbita terrestre que vai então, transmiti-lo
novamente para outras estações terrestres que de posse do sinal, vão retransmiti-lo para
as suas regiões. É desta forma que podemos acompanhar transmissões nacionais com notícias geradas
numa região, ou receber programas de rádio ou televisão do exterior.
- A conversão do sinal
O sinal de áudio ou vídeo gerado na estação transmissora, normalmente é analógico, pois utiliza um sistema de ondas
electromagnéticas para registar determinadas informações e qualificá-las de acordo com o uso. A estação transforma estes
sinais analógicos em sinais digitais, que por sua vez são compatíveis com a
linguagem de funcionamento dos satélites de comunicação de dados. Por meio de antenas parabólicas próprias para este fim,
estes sinais são enviados para
um canal de operação que está em uso no satélite em órbita, que por sua vez, serão retransmitidos para outras estações
terrestres que utilizarão estes sinais depois.
- Os canais de trabalho do satélite
Os satélites de telecomunicações possuem sistemas muito avançados de recepção e transmissão de sinais. Normalmente estes
satélites est ão munidos
de conjuntos de recepção e transmissão que utilizam cada qual, uma freqüência de operação padrão
para não baralhar os sinais que serão enviados e recebidos. Estas freqüências de operação são chamadas de "canais". Um único
satélite pode comportar vários canais de operação, ou seja, transmitir dezenas
de sinais que são recebidos ao mesmo tempo, e vice-versa. Muitas vezes ouvimos falar em conexões via satélite que são feitas
para incrementar um
telejornal ou programa de rádio, estas emissoras utilizam normalmente o termo "link" para definir que este sistema está
a ser usado e quando falamos de satélite, é justamente um destes canais que está
a ser utilizado para receber e emitir os sinais da emissora ao mesmo tempo.
Pelo tipo de transmissão e recepção, as freqüências utilizadas por estes satélites são altíssimas, na ordem de
1.000.000.000 de hertz! Ou para facilitar, acima de 1,5 GigaHertz, freqüência
realmente descomunal para os meios de radiodifusão convencionais.
É muito importante entender que nem todos os satélites utilizam os mesmos padrões de freqüência de operação via satélite.
Há satélites que possuem dezenas de canais que por sua vez operam em freqüências distintas e muitas vezes, operando em várias
faixas de transmissão diferentes. Encontramos
actualmente satélites de telecomunicações que operam desde 150 Mhz (2 metros) até alguns GigaHertz, ou seja, comprimento de
onda comparável apenas às microondas.
- O Satélite em si
Os satélites de telecomunicações possuem padrões pré-determinados de funcionamento, antes mesmo do término da sua
construção. Todo projecto
de montagem de um satélite é minuciosamente estudado, o local de onde será lançado,
a sua posição final, o número de canais que vai operar, quantidade de
antenas etc. Algumas destas precauções são importantíssimas pois o espaço terrestre de uso público já possui outros aparelhos
em funcionamento na sua órbita e possivelmente erros de projecto acontecem.
Por operar no espaço em tempo indefinido, o satélite precisa dispor de mecanismos próprios para resolver
os seus problemas diários de operação,
ou possíveis falhas no sistema. Numa linguagem mais técnica, dizemos que os satélites possuem basicamente dois ou mais
motores que utilizam combustível propelente de alta performance, responsável quando necessário,
pela correcção de órbita e posicionamento em relação à Terra.
A sua alimentação eléctrica normalmente é feita por meio de baterias que são recarregáveis através de painéis solares
montados na sua estrutura e finalmente os equipamentos de operação, ou seja, os receptores e transmissores
dos seus sinais. Estes sistemas de comunicação conhecidos como canais de operação chamam-se transponders.
- Os transponders
O transponder consiste num sistema integrado de receptores e transmissores de sinais de rádio que operam em tempo integral
e conjuntamente. Os satélites podem possuir dezenas ou centenas de transponders e cada transponder representa o par de um
receptor e um transmissor de
rádio. O termo transponder é usado porque normalmente há muitos canais em operação ao mesmo
tempo e é necessário determinar-se qual deles se está a utilizar e por sua vez, em que freqüência opera.
Cada transponder possui uma freqüência de operação própria tanto para receber, como para transmitir
os seus sinais para as estações terrestres.
A expressão para definir esta freqüência está baseada no sentido de que a informação
circula. Se o sinal segue da Terra para o satélite, dizemos que esta
freqüência é de subida, ou UpLink mas se o sinal desce do satélite para uma estação terrestre, dizemos que ele é DownLink.
Como os sistemas de recepção
e transmissão são integrados e mesmo que utilizem as mesmas antenas, não significa que todos tenham que utilizar freqüências
idênticas. Se um satélite
possui 100 transponders, tanto os canais de transmissão e recepção dos seus 100 receptores e 100 transmissores podem operar
cada qual numa freqüência
diferente.
- O sistema Analógico
O padrão analógico de transmissão de dados consiste na geração de sinais eléctricos baseados nas ondas
electromagnéticas que são contínuas.
Estes sinais são trabalhados e transmitidos para o satélite e dependendo do caso, retransmitidos novamente para outras
estações de retransmissão na terra.
Como os sinais analógicos são contínuos, a qualidade de operação é mais exigente, pois na sua falha, o sinal deve ser gerado
novamente desde o princípio.
- O sistema digital
O padrão de comunicação digital consiste em pegar nos sinais analógicos , sejam de áudio ou vídeo e
partilos em pequenos pedaços representados
por um padrão binário, conhecido como zero e um. Cada pedaço deste sinal originalmente analógico vai ser identificado por
este padrão digital e passará
então a representar apenas aquele novo número binário, ou digital.
Para entender-mos melhor esta idéia, basta imaginarmos a palavra
rádio. Se transmitida pelo sistema analógico, a sua modulação seria
comprimida numa onda de rádio e transmitida por forma de ondas electromagnéticas pelo espaço, mas pelo sistema digital, um
conversor irá separar cada letra da palavra rádio e identificar este pedaço como uma seqüência binária. Depois de
transmitido, este sinal é recebido por um outro conversor que
faz exactamente o contrário, recebe o sinal fraccionado num conjunto de números e transforma-o em sinais
electromagnéticos analógicos.
Este sistema de identificação analógica possui um padrão matemático. Cada conjunto de números 0 e 1 representa uma letra e
porque este processo nunca se repete os conversores trabalham. Existem vários sistemas similares e compatíveis entre si para
fazer estas conversões.
A principal vantagem entre os dois sistemas está no facto de que um sinal analógico quando é perdido, não pode ser reposto,
porque é apenas uma onda
de rádio, já um sinal digital, quando perdido ou corrompido (com defeito entre os dígitos) pode simplesmente ser repetido em
tempo real, o que aumenta
muito a dinâmica da transmissão.
- O sistema técnico propriamente dito
O satélite de telecomunicações possui diversas utilizações e para tal precisa
de trabalhar com diversos sistemas de transponders. Mesmo que conheçamos
todas as "partes" do satélite, é importante conhecermos os padrões de operação, as frequências e
o uso delas.
Vamos então para um rápido vocabulário e tabela técnica:
RHC: significa sinal polarizado circular para a direita.
LHC: sinal polarizado e circular para a esquerda.
H : Polarização linear de sinal pelo vértice horizontal.
V: Polarização linear de sinal pelo vértice vertical.
Banda S: Padrão de transmissão com frequência de satélite mais baixa, utilizada normalmente para transmissão de sinais de
rádio e telecomunicações via satélite.
Banda C: Banda utilizada para frequências mais altas e que são usadas para transmissão de
sinais de televisão em território continental
Banda Ku: Sistema que utiliza uma frequência de operação muito mais alta que
as anteriores e oferece melhores resoluções. É o sistema mais interessante
para trabalhar com sinais digitais e telecomunicações inter-continentais pelo baixo padrão de ruído e interferência.
Banda Ka: Esta faixa é utilizada normalmente para transmissão de dados em altíssima velocidade, bem como sinais de áudio e às
vezes, vídeo, para grandes
cadeias de rádio e televisão que por ventura utilizem mais de um satélite para transmissão
Font:
http://www.aminharadio.com/radio/radio_satelite